Se você pegou a "fase de ouro" dos desenhos na TV dos anos 90 ou 2000, você com certeza assistiu ou já ouviu falar de "Rugrats - Os Anjinhos" (título adaptado no Brasil)! A clássica série animada de 1991 criada pela Klasky Csupo foi um dos primeiros Nicktoons que surgiu, e aqui no Brasil teve exibição em emissoras como a Nickelodeon, SBT e TV Cultura. Os Anjinhos fez um sucesso estrondoso pelo mundo, tendo ao todo 9 temporadas, 3 filmes, uma sequência chamada Rugrats Crescidos (All Grown Up!), e um reboot em 3D lançado em 2021, e que tal revivermos as aventuras desses icônicos bebês nos videogames? Por meio de uma parceria com a Nick (Paramount Skydance) Limited Run Games lançou hoje (dia 22 de maio) o Rugrats: Retro Rewind Collection, uma coletânea com 8 jogos baseados no desenho, e falaremos deles aqui na WDN - com uma gameplay de Search For Reptar e Studio Tour (ambos do PS1) em nosso canal do YouTube!
Jogos Inclusos
Rugrats: Retro Rewind é uma coletânea de jogos retrôs de Os Anjinhos rodados via Carbon Engine, desenvolvida pela Mighty Rabbit Studios - o mesmo estúdio de Saturday Morning RPG, e que já produziu outras coletâneas da LRG, como Earnest Evans Collection. A Coletânea reúne 8 jogos no total - todos publicados pela THQ, atual THQ Nordic - e comentaremos um pouco de cada deles aqui:
Rugrats Search For Reptar - Esse é o 1° game da franquia, lançado em 1998 e desenvolvido pela n-Space (o mesmo estúdio de Duke Nukem Time To Kill). O jogo começa mostrando o Tommy chorando porque perdeu as peças do quebra-cabeça do dinossauro Reptar, que estão espalhadas pela casa, e cabe ao Tommy e seus amigos encontrarem as peças. Para coletar as peças, basta passarmos por várias fases (algumas no formato de mini-games) que são acessadas através de objetos na casa da família Pickles, temos objetivos como o Tommy precisar destruir alguns robôs palhaços do porão da casa, Stu (o pai do Tommy) levar o seu filho e os outros bebês para jogar minigolfe, Chuckie brincar de esconde-esconde só que sem os seus óculos (pois a Angélica o tomou), e fases bônus onde o Tommy, Chuckie, e os gêmeos Phil e Lil precisam comer uma caixa de biscoitos inteira antes que a Angélica tome deles.
Esse jogo foi lançado principalmente para atrair o público infantil ao PlayStation junto do sucesso atrelado da série, e por essa razão, a THQ teve apoio da própria Sony Computer Entertainment America para o marketing do jogo, foi a 2ª maior campanha multimilionária de marketing em um jogo de 1998 - perdendo APENAS para The Legend Of Zelda Ocarina Of Time. O jogo também recebeu relançamento da label Greatest Hits.
Rugrats Studio Tour - Já adiantado que esse é o meu jogo favorito da série, pois eu e minha família jogávamos bastante quando eu tinha entre 3 e 5 aninhos (inclusive, passamos umas horas rejogando antes de eu preparar essa review hehehe). Lançado em 1999 e desenvolvido mais uma vez pela n-Space, ele começa com a família Pickles e os bebês realizando um tour em um estúdio de cinema, até que eles adentram os estúdios por dentro, só que no meio disso tudo, o Dil (irmão mais novo do Tommy) desliga a energia do estúdio, atrai a atenção de um segurança que, por descuido, deixa que o Dil brincar com seu molho de chaves que se espalha pra todos os cantos, e o travesso bebê acaba ficando preso por uma porta reforçada por várias fechaduras, então os bebês precisam resgatar o Dil coletando essas chaves espalhadas. E além de Tommy, Angélica, Chuckie, Phil e Lil, temos também a Susie como personagem jogável.
Esse jogo é baseado em vários mini-games, temos missões de coletar tesouros, pega-pega, corrida (tanto a pé quanto de kart), minigolfe etc., assim como também de variados temas, como piratas/ilhas, fazenda, automobilismo e espaço. Ao passar essas fases/mini-games, coletamos as chaves para resgatar o Dil.
E reforçando, esse jogo também tem opção de multiplayer para até 4 pessoas, para jogar com qualquer personagem, independente do tema ou minigame (na campanha, todos são pré-definidos com o tema, como a Angélica nas fases de piratas, e o Chuckie nas fases do espaço).
Rugrats in Paris: The Movie - Baseado no filme de mesmo nome lançado em 2000 pela Paramount, sendo desenvolvido pela Avalanche Software (o mesmo estúdio do Hogwarts Legacy e Mortal Kombat Trilogy) e lançado para PS1 e Nintendo 64. Rugrats em Paris serve como gancho para a série principal, pois aqui somos apresentados a Kira Watanabe e sua filha Kimi, que mais tarde fariam parte da família Finster como mãe e irmã de Chuckie, respectivamente.
Esse jogo não explora tanto o enredo do filme (e o desejo do Chuckie de ter uma nova mãe), pois assim como o Studio Tour, ele é baseado em mini-games, mas assim como o filme, o Stu foi chamado para ir à Paris para consertar os brinquedos da EuroReptarLand, e acaba indo junto com sua família e amigos. E diretamente do parque francês, Kimi explica para os bebês que o Robosnail raptou a princesa do parque, e que os bebês precisam um capacete que controla o Reptar robô para lutar contra o Robosnail, esse capacete é adquirido com tíquetes dourados, coletados nos minigames. Temos todos os bebês principais jogáveis, mas ao invés da Susie, a Kimi é personagem jogável, e temos minigames de acertar toupeiras, acertar alvos, minigolfe (não podia faltar, né?), carrinho bate-bate (ou quase isso), Chuckie quebrando tábuas no estilo kung-fu etc.
Rugrats em Paris é um outro jogo de PS1 que joguei na infância, e rejogando ele, eu percebi que ele é super tedioso! Não me entendam mal, ele não é um jogo ruim, porém eu não tinha esse senso crítico de quando era criança, e percebo que ele tá longe de ser tão divertido quanto o Studio Tour. O mapa, com toda a estética francesa e japonesa/orienta, é totalmente deserto, e a exploração dele é meio irritante, pois além do parque completamente, temos o robô do Reptar nos azucrinando em momentos aleatórios, e controlamos os bebês com controles de tanque (parecendo a própria Lara Croft nos Tomb Raider clássicos). Apesar dos minigames serem legais, zerar esse jogo em uma jogatina só não vale a pena, pois ele vai causar um tédio descomunal!
Agora vamos falar um pouco dos jogos de Game Boy Color e Advance:
Temos um jogo de Rugrats em Paris para GBC, e diferente da versão de PS1/N64, esse é bem mais divertido (da pra acreditar?). Ele foi desenvolvido pela Software Creations, ele segue o enredo de forma mais fiel (terminando com a Kira sendo mãe do Chuckie), e as missões se intercalam com minigames e fases plataforma 2D.
Além disso, também temos o Dil como personagem jogável, no lugar da Angélica (que explica tutoriais antes de cada fase e minigame).
Temos outros jogos dos Rugrats dos portáteis da Nintendo disponíveis nessa coletânea, como The Rugrats Movie (baseado no 1° filme, e com versões do Game Boy Color e GB Original), Time Travelers e Castle Capers (esse ultimo para GBA).
Todos os jogos citados são de plataforma 2D, e foram desenvolvidos pela Software Creations - o mesmo estúdio de Spider-Man and Venom: Maximum Carnage. Mas teve um negócio que me chamou atenção, esse estúdio também desenvolveu o Mario Artist Paint Studio para 64DD, e tem um efeito sonoro específico desse jogo que foi reciclado para o Castle Capers.
Sistema de Saves e Rewind
Assim como todos os jogos da Carbon Engine, temos sistema de Save State e Rewind. Mas diferente do GEX Trilogy (por exemplo), só temos um slot de salvamento de progresso, e o Rewind não funciona por quadro a quadro, e sim como se você estivesse rebobinando um VHS mesmo.
Museu
Outro atrativo que está presente nas coletânea da LRG/Carbon Engine, é a preservação de scans dos manuais e capas dos jogos. Os únicos pontos negativos são a remoção de logos de empresas First Party (como Nintendo e Sony), ou então de alguma empresa de terceiros.
Menção Honrosa: Cartucho FÍSICO de Game Boy Color
Além do Retro Rewind para PS5, Switch e Steam, a LRG anunciou também o Rugrats: Portable Collection, onde inclui os 3 jogos de Game Boy Color e a versão de Game Boy original do The Rugrats Movie citados acima, em um cartucho só.
Essa mídia física está a venda no site da Limited Run, com o prazo pra até dia 31 de Maio.
Conclusão + Pontos Críticos
E esse é o Rugrats: Retro Rewind Collection, e é uma coletânea boa? Mais que isso, excelente, pois ela resgata mais do que jogos, e sim memórias dessa franquia clássica onipresente não só na televisão, mas até nos videogames (principalmente pra quem cresceu com o PS1)! No entanto, eu preciso pontuar alguns pontos críticos que, mesmo não tirando o brilho da coletânea, deixam um pouco a desejar:
- Sem versão para XBOX e PS4: Já tivemos um jogo do Rugrats para XBOX (além dos bebês terem aparecido em outros jogos do console, como o Nickelodeon Kart Racers), e quanto ao PS4, eu sei que estamos na nova geração de consoles, porém essa narrativa não cola para jogos retrôs, pensando no sentido de preservação e acessibilidade para todos os consoles (principalmente pra quem não migrou pra geração atual com PS5, Series X/S e Switch 2), então essa coletânea fará falta no PS4.
- Preço no Brasil para consoles: Enquanto a versão da Steam custa 85 Reais, no PS5 e Nintendo Switch está custando 115 Reais, então para quem quiser comprar as versões digitais para console, eu recomendo esperar uma promoção, ou quem sabe um reajuste.
- Falta de uma localização PT-BR: A Limited Run já localizou jogos para o Brasil, mas somente algumas exceções, os exemplos mais notórios são Arzette (do Seth Fulkerson), Earthion (de Yuzo Koshiro) e Marvel MaXimum Collection - os dois últimos títulos localizados pela Masamune. Enfim, no caso dos Rugrats, pelo fato do desenho ser sucesso estrondoso no Brasil e com dubladores renomados de São Paulo, uma tradução oficial dessa coletânea em português seria ótimo pro legado do desenho!
- Jogos ausentes: É uma coletânea repleta de jogos, mas não tem todos os títulos. Temos ausências de jogos por motivos desconhecidos, como o Totally Angelica de PS1 (que é um outro jogo que joguei na infância), porém outros que talvez teria um custo a mais no licenciamento, como os jogos do All Grown Up!, e o jogo baseado no filme crossover com Os Thornberrys (Rugrats Go Wild).
- [BÔNUS] Cadê a THQ?: Ok, isso não é bem um ponto fraco, mas o que me deixou confuso é a exclusão total de qualquer logotipo e menção à THQ - publisher original dos Rugrats. Atualmente temos a THQ Nordic GmbH que, assim como a Limited Run Games, ela faz parte das divisões da Embracer Group AB, no entanto, toda e qualquer menção à ela foi apagada, não só nos jogos como também nos scans de manuais. É ruim no sentido de preservação de imagens e scans dos jogos, como também é confuso com GEX Trilogy tendo menções à Crystal Dynamics (a franquia/IP é da SQUARE ENIX) e Bubsy Purrfect Collection mencionando a Accolade (a franquia/IP é da Atari), mas Rugrats Retro Rewind não tem nenhuma referência à THQ, que é uma "empresa irmã" da LRG por meio da Embracer.
Bem, apesar desses pontos, é uma coletânea que tem o seu devido valor, cheia de nostalgia e que pode desfrutar um pouco da infância de cada, sendo jogando sozinho, ou aproveitando o multiplayer local, e é surreal de ver o Studio Tour (que como disse, é o meu favorito) recebendo um relançamento oficial para as plataformas modernas. Enfim, bora curtir Os Anjinhos nos videogames!
Quero agradecer mais uma vez a Limited Run Games e a Overload PR pelo apoio nessa review, e também ao 'WilliShow' pela Thumbnail e ao 'Urubuxa' pela arte do Wendy - o mascote da WDN, e a gameplay completa está no canal da WDN no YouTube! Rugrats: Retro Rewind Collection está disponível na Steam, PlayStation 5 e Nintendo Switch.










